Memórias esquecidas


Imediatamente dei play na minha lista favorita do momento no Spotfy, pensando em como o destino é incrível e incerto. 
Enquanto ouço agudamente " I have died every day... waiting for you..." pensando no livro que novamente estou obcecada, em palavras ditas em tantas longas horas e que embora pareça, jamais ficaram esquecidas - foram aquecidas em um coração surrado e remendado. Nesse coração eu existi, a história diz que ainda permaneço.. As horas que a ansiedade tomou conta de algo que deveria apenas bombear sangue, deixa bem claro que nada morreu, nada sumiu.. Será coerente o suficiente? Seria eu monopolizar aquilo que não seria moeda de barganha? Incertezas, indecisão e incoerência no que tange sentimento. Memórias...
Eu sempre fui muito familiarizada com as palavras, as vezes com tropeços casuais... Nada demais até, o problema todo é o choque. As palavras simplesmente somem ou não são justas o suficiente, preciso ficar encarando o teclado muitas vezes até entender o que eu realmente preciso decifrar em milhares de letras, não está sendo fácil. É como explicar a mecânica do choro em detalhes, eu não consigo.
Eu só queria poder imaginar entrelinhas o que foi dito, embora tenha deixado as palavras tão gastas por tanto ler na insistência, tem um buraco muito tátil aqui no qual não compreendo. 
Tudo muito fragmentado, assim como escrevo esse texto - na fila do banco pelo celular, debruçada na janela olhando a chuva cair calmamente, na calada da noite tentando me concentrar em coisas da rotina, dormindo ou existindo. É um monte de frases desconexas que para mim, fazem um enorme sentido. Eu olho para telas simultâneas superando a maldade alheia e só enxergo a saudade resumida em formas. Meu coração diz que preciso correr mas de repente meus dois pés esquerdos não permitem.. Passei o que posso dizer longo tempo tropeçando por aí e sempre a vida me trazendo num mesmo ponto. E foca. Livre arbítrio é uma ilusão na altura desse campeonato, no qual minha sanidade é o prêmio. 

Me permito deixar que memórias me corroam desconsoladamente, fazendo com que meus dedos digitem coisas que nem sei porque - afinal, o que sabemos no fim das contas?! - A ação da vida na nossa pequena linha do destino é algo tão grande que poderia apenas me calar e isso faria parte do seu contexto.. Será alma Divina que estou ficando pirada? O peso de não saber o que fazer para um obstáculo do tamanho de um prédio deixou minha coerência escoar nos meus poros? Eu não me sinto perdida ou aflita, sinto apenas que tem algo que meus olhos não conseguem ler de verdade, mais uma vez por memórias eu tento entender o que há de ser tão importante a ponto - mas não é moeda de barganha, não posso pedir que a vida me diga, ela nem tem lábios ou palavras que humanos possa entender.

Vou comparar como um eterno natal, tirando disso a alegria desse evento, ou magia como assim preferir: no pé da árvore, após esperar uma noite inteirinha com biscoitos e leite, mesmo tendo ouvido tão nítido meus pais mexendo na árvore, descubro pela manhã que dentro de uma caixa lindamente enorme um bilhete escrito não em latim, mas em simlish. E nele eu sei que diz algo sobre meu coração, mas ainda não decifrei - pra quem não sabe, simlish pode ser qualquer coisa.. Desde pão doce até um tropecei na quina da mesa, e é exatamente assim que me sinto.. Dedinho latente e dolorido. Mas ainda sem respostas..

Uma volta completa para entender que as memórias antigas são tão importantes, ela nos moldam, nos descobrem mas também causam uma piração total.

Será que alguém entende?


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