Nostalgia do que não aconteceu

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Em destaque, uma pausa para um período de vida que nem chegou.
Um íntimo tão ilusório que nem sequer tem explicação de ser. Apenas sinto.

Uma velhice aos 23 anos tão lúdica que chega me doer as costas, me tontear com um chá da tarde e vislumbrar meus possíveis netos correndo no jardim recém aparado.
Conquistar uma paz de espírito extrema tem dessas coisas, uma alma velha e experiente no quesito paz.

Vislumbrar as possibilidades daqui alguns muitos 50 anos pode ser uma boa sensação, pena que as mesmas possibilidades nos tonteiam com medos de não ser possível dar tão certo. Quero netos, quero meu marido em meu redor, quero bolo de laranja recém assado, mesa cheia, coração farto, sorrisos de canto de boca, formigas na varanda, um cachorro que não cansa de latir, quero muito mas ainda sim são nas simplicidades que me fazem suspirar de tanta ansiedade.
Confesso que não compreendo o medo de envelhecer que alguns pobres seres humanos agarrados tem,  se saber que trilhou um caminho tão longo para chegar um momento de descansar e colher os louros e os espinhos de uma vida completa, saber que na bagagem tem tanto a se contar, a se mostrar... Aprender a ver com bons olhos numa madrugada quente é um bom começo de se viver o agora em paz de que um dia isso será pleno, inevitavelmente pleno.
Pudera eu envelhecer com a pele bem macia igual a que minha avó tinha, chegar os fios brancos sem nenhuma tintura a cobrir, vestir roupas de vovó, SER uma vovó e entupir os netos de comida boa e açucarada... Ah, que devaneio bom...
Permitir a cabeça de sonhar tão longe, bem diferente de se almejar dinheiro e oba-oba, tem coisas mais ricas do que isso. Um aconchego, uma casinha com cheiro de madeira e felicidade, uma horta cheia de coisas frescas e sorriso de brotar aos montes, um desejo de vida confortável na simplicidade.

A nostalgia é assim, vem. bate. o vinho aquece e a gente flutua.

Bella

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